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Decisões Técnicas e Políticas
Por PY2JF - João Roberto S. G. Ferreira
 
26/07/2007

 

Tão logo decidimos experimentar com a tecnologia D-Star, nos deparamos com tomadas de decisões que nem sempre agradam a todos. Sejam eles integrantes do CRAM, usuários de nossas repetidoras e um último grupo, esse nem eu imaginava existir, o dos que não usam nossas repetidoras mas ficam incomodados por experimentarmos novas tecnologias.

O primeiro dilema foi resolver qual das duas repetidoras de Americana passaríamos para o modo digital. VHF ou UHF? Para mim a decisão era obvia. Claro que a de VHF. Na minha opinião, o VHF é o que existe hoje de pior no radioamadorismo aqui na região. Basta você rodar pelas repetidoras para ver que poucos se comportam como radioamadores. São brigas, portadoras, pornografia, agressões, insultos e todo tipo de assunto que ninguém aceitaria em sua casa, mas parece que no VHF tudo bem. O incrível é que mantenedores dessas repetidoras parecem não se importar com esses comportamentos, fingem que não ouvem. E pior, alguns são até coniventes.

Raríssimas vezes eu tenho feito VHF, e as poucas vezes que tentei recentemente, tive problemas em nossa própria repetidora. Ela está sempre as moscas, pois em nossa região tem repetidoras demais e muitas praticamente com mesma área de cobertura. Mas é só começar a usá-la que aparecem os maus elementos e começam com portadoras, gracinhas ou enviando DTMF pelo teclado. A solução é simples, desliga-se a repetidora por dias até as coisas se acalmarem.

Não era pra ser assim, mas infelizmente é. Os novos radioamadores se iniciam e aprendem facilmente os péssimos hábitos propagados por essas repetidoras e acabam achando que isso é o normal. Por esse motivo, acho que deveria ser a de VHF. Além disso, sendo VHF, radioamadores interessados em participar do nosso sistema poderiam adquirir rádios mais baratos, como o IC-2200H da Icom, ao invés dos caros dual bands.

Mas outros membros acham que deveria ser a de UHF, pois ela é pouco utilizada e não faria falta para a maioria. Já a de VHF serviria mais a comunidade permanecendo em modo FM. Eu não concordo, pois além de termos que comprar rádios mais caros, continuaremos perdendo nosso tempo e dinheiro para manter a repetidora e em troca recebemos portadoras e provocações quanto tentamos falar por ela. Para mim isso não faz sentido! Mas a maioria vence. Ficou resolvido que a de VHF permanecerá em modo FM e a de UHF será digital.

Ao fazermos a encomenda, surgiu um problema técnico. A Icom ainda não têm disponibilidade de repetidoras de UHF dentro da faixa de 430MHz ~ 440MHz, que é a autorizada no Brasil. Eles só têm a versão americana que é de 440MHz ~ 450MHz. Falei com o departamento técnico da Icom e mesmo nossa repetidora tendo a saída próxima dos 440 MHz nos desaconselharam. A entrada é 5000 abaixo e portanto bem fora das especificações, podendo perder muito em sensibilidade. Nos deram a previsão de entrega para Setembro deste ano.

Por essa razão, ficou resolvido que a repetidora D-star vai operar em VHF temporariamente. Assim que recebermos a de UHF, voltamos a operar nossa repetidora de VHF em modo FM. Na ocasião estudaremos uma nova cidade para instalar a de VHF D-Star, aumentando assim a área de cobertura do sistema para poder atrair mais radioamadores interessados na experiência. Quem sabe até lá não mudam de idéia e deixamos como está.

Por causa desse dilema, sugiro cautela na escolha de rádios para operar nossa repetidora D-Star, pois se realmente acontecer essa mudança, rádios monobanda como o IC-2200H não poderão operá-la.

E para encerrar, ouvi nesta semana duas pessoas em nossas repetidoras indignadas e uma visivelmente contrariada por estarmos mudando para o modo digital. Alegam que isso é um retrocesso e que pode levar ao fim do radioamadorismo. Não entendi muito bem o que eles querem dizer com retrocesso, mas claramente é o choque do novo. Isso também aconteu quando nos tornamos a primeira repetidora da America Latina a operar no Echolink. Me disseram que seria o fim. Mas pelo que vejo, o Echolink é apenas mais uma modalidade que só trouxe benefícos ao radioamador.

Acho que o D-Star nada mais é que um novo modo, mais uma alternativa, mas onde felizmente não haverá lugar para anônimos se esconderem covardemente atrás de um PTT para fazerem que fazem no VHF. O VHF, como está hoje, já é um bom exemplo do que é o fim.

Parte 6: Integrantes do Projeto D-STar do CRAM


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