Já se foi o tempo em que radioamadorismo era um hobby seguro. Aqui vai o "causo" mais contrangedor pelo qual passamos como mantenedor das repetidoras do CRAM.
A Dura Vida de Mantenedor de Repetidoras

No dia 23/06/2001, sábado, por volta de 17:30h, eu (PY2JF), PU2YJS - Neto e seu filho e mais um colega nosso de trabalho, esse por coincidência filho de um superintendente da Anatel de Brasília, voltávamos de uma manutenção que fizemos na repetidora 439.550MHz de Americana. Como esses três colegas não conheciam as instalações do repetidor, pedi para que trouxessem um binóculo para poderem curtir a visão do alto da torre.
Depois de feito os reparos, voltávamos em um Palio preto, o qual tinha um rádio móvel e o Neto ainda carregava seu HT. Eu voltava com a repetidora, que são mais dois rádios, um HT e mais o rádio do link. No total estávamos com 6 rádios no carro. E não se esqueçam do binóculo.
Quando estávamos no meio do caminho de volta para minha casa, duas viaturas da PM nos alcançaram e sinalizaram para que parássemos. Após o Neto estacionar o carro, os policiais sairam das duas viaturas nos apontando as armas, mandaram a gente descer do carro todos de mão para cima. Podem imaginar a cena? Após ficarmos todos parados, um deles se aproximou, ergueu nossas camisas para ver se estávamos armados, feito isso mandou a gente ficar na calçada e foram em direção ao carro. Até aí não tinha mínima idéia do que estava acontecendo. Minha reação foi de total espanto, mas não foi maior do que a reação do guarda ao ver todos aqueles rádios espalhados pelo carro. Podem imaginar a reação deles? Com toda aquela parafernalha e mais o binóculo, não tinham dúvida: pegaram uma quadrilha.
Eu tentei por algumas vezes perguntar aos policiais o que estava acontecendo, queria saber o porque daquilo e queria explicar porque havia tudo aquilo ali no carro. Mas com uma educação de lorde, me mandou ficar quieto e ficar longe do carro na calçada. Chamaram o proprietário do carro que era o Neto, e pediram os documentos. O Neto apresentou os documentos. Daí perguntaram se tinha licença para ter os rádios, o Neto apresentou a licença da estação. Feito isso, imaginei que estava tudo resolvido. Que nada, chamaram reforço, mas duas viaturas chegaram. Isso tudo em frente a um supermercado e uma farmácia, parecia que caiu um balão de tanta gente que se aglomerou pra assistir a cena, que mais parecia um filme policial.
Eu, cidadão pagador de impostos e nada devendo a polícia, já estava ficando irritado com a situação, com a falta de explicação, com a "delicadeza" do policial que me mandou ficar quieto e sair de perto, e eles tiravam tudo que havia no carro e iam colocando pra fora.
Após todos os documentos apresentados, mesmo depois de perceberem que não éramos o que pensavam, ainda assim continuavam nos tratando como bandidos. Enquanto me continha pra não perder a paciência, pois sabe como é, se você erguer a voz com um desses "homens da lei" eles podem alegar desacato, e isso só complicaria as coisas.
Como não havia meio de me comunicar com eles, pois eu não entendia a língua que falavam e muito menos eles a minha, liguei para um conhecido e o coloquei para falar com o policial no comando. Desfeita a confusão e explicados aos "homens da lei" que não éramos bandidos, fomos liberados.
Agora pode parecer até engraçado, mas no momento não estava. Se não houvesse "alguém" com influência para poder explicar que não éramos bandidos e sim radioamadores, era possível que nos levassem para o plantão policial de camburão.
Como podem ver, agora radioamadores são confundidos com bandidos pela polícia. Me responda, radioamadorismo é ou não agora um esporte radical?
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